Segundo período · 07 · Pré-socráticos · c. 585 — c. 528 a.C.
Anaxímenes de Mileto
O terceiro de Mileto volta a um elemento concreto, o ar, e parece dar um passo atrás.
Mas traz o que faltava aos outros dois: um mecanismo que explica como uma única coisa vira todas as outras.
c. 585 a.C.Nasce em Mileto, mais ou menos no ano do eclipse de Tales.
séc. VI a.C.Discípulo ou companheiro de Anaximandro, segundo Teofrasto.
séc. VI a.C.Escreve em prosa jônica «simples e sem enfeite» (Diógenes Laércio, II, 3).
c. 528–525 a.C.Data provável da morte.
494 a.C.Os persas destroem Mileto. Termina a escola de Mileto.
Para Anaxímenes, a arché é o ar (aér).
Ele aceita de Anaximandro que o princípio deve ser ilimitado — o ar está em toda parte, envolve
tudo e nunca se esgota. Mas recusa a indeterminação: o princípio tem uma natureza definida,
que se pode sentir na pele e na respiração.
A escolha não é arbitrária. O ar é invisível quando está em equilíbrio e só se torna perceptível
quando muda — quando esquenta, esfria, se move como vento ou se adensa em névoa. É a matéria mais
móvel que existe, a melhor candidata para virar outras coisas.
§ 2 · Mecanismo
Rarefação e condensação
A grande contribuição de Anaxímenes é dizer como o princípio se transforma. Tales não disse
como a água vira pedra; Anaximandro falou em «separação» dos contrários, sem explicar o processo.
Anaxímenes propõe dois movimentos opostos do mesmo ar:
Rarefação (afrouxar, dilatar): o ar rarefeito vira fogo. Condensação (apertar, adensar): o ar condensado vira vento,
depois nuvem, depois água, depois terra
e, no último grau, pedra.
Tudo o mais nasce dessas coisas. A diferença entre o fogo e a pedra não é de substância — é a mesma
coisa — mas de grau de densidade. Diferenças de qualidade passam a ser explicadas por
diferenças de quantidade. Essa é a ideia que atravessa toda a ciência
que vem depois.
§ 3 · Alma e cosmos
O sopro que nos mantém
Aécio conserva uma frase que pode ser do próprio Anaxímenes (a autenticidade é discutida, mas o pensamento
é dele):
Assim como a nossa alma, que é ar, nos mantém unidos, assim também o sopro e o ar envolvem o mundo inteiro.
Anaxímenes, DK 13 B2
A palavra grega para alma, psyché, vem de «soprar». Quem morre «dá o último suspiro».
Se a alma é ar, e é ela que mantém o corpo vivo e inteiro, então o ar que envolve o cosmos faz o mesmo
com o mundo. O ser humano é um pequeno mundo, e o mundo é como um grande ser vivo: é a analogia
entre microcosmo e macrocosmo.
§ 4 · Cosmologia
Uma terra larga como uma tampa
A terra é plana e larga, e por isso o ar debaixo dela não escapa e a sustenta — como uma
tampa sobre o vapor, diz Aristóteles (Do céu II, 13). Sol, lua e astros também são planos e
flutuam no ar como folhas.
Os astros não passam por baixo da terra durante a noite: giram em volta dela, «como um gorro gira
em volta da cabeça», e somem porque ficam escondidos atrás das partes altas da terra, no norte.
Anaxímenes também explica fenômenos do tempo sem recorrer a Zeus: o relâmpago é o ar rasgando a nuvem;
o arco-íris, os raios do sol caindo sobre uma nuvem densa; os terremotos, a terra rachando ao secar
depois de muito molhada.
Exercício
Questionário
10 questões de múltipla escolha sobre o que está acima. Marque uma alternativa em cada uma
e clique em Corrigir no final. O resultado aparece logo abaixo do botão, com a lista das
questões que você acertou e errou; cada questão mostra a resposta certa e a explicação.