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Primeiro período · Metafísicas · Martin Heidegger · 1889 — 1976

Metafísica de Heidegger

O que significa ser? Da análise do Dasein à crítica da metafísica como ontoteologia e à questão da técnica: seis seções de estudo e 10 questões com explicações ao final.

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§ 1 · A pergunta pelo ser

Ser não é outro ente

Em Ser e tempo (§§ 1–3), Heidegger retoma a pergunta pelo sentido do ser. Entes são aquilo que é: uma mesa, uma pessoa, um acontecimento. Perguntar pelo ser não é procurar mais um objeto, mas interrogar como compreendemos que algo é e os modos pelos quais ele pode ser.

A diferença ontológica distingue ser e ente. Uma investigação ôntica trata de entes e de suas propriedades; uma investigação ontológica pergunta por seu modo de ser. Heidegger critica a tendência de tratar o ser como se fosse um ente, ainda que supremo.

§ 2 · O ponto de partida da investigação

Dasein e ser-no-mundo

O Dasein, frequentemente traduzido como ser-aí, é o ente para o qual seu próprio ser está em questão. Por já compreender o ser de algum modo, ele é o ponto de partida da investigação de Ser e tempo (§§ 4 e 9).

Seu modo de existir é ser-no-mundo (§ 12). Isso não significa apenas ocupar um lugar físico: existimos envolvidos com tarefas, instrumentos, relações e possibilidades. O mundo não é inicialmente uma coleção de objetos observados por uma consciência isolada.

§ 3 · A estrutura da existência

Cuidado e temporalidade

Cuidado, ou Sorge, nomeia a estrutura do Dasein: projetar possibilidades, já estar lançado em um mundo e ocupar-se com o que nele encontra (Ser e tempo, § 41). Não é apenas um sentimento de preocupação ou uma atitude de gentileza.

A temporalidade articula futuro, ter-sido e presente na existência (§ 65). Não se reduz à sequência de instantes do relógio. A investigação do Dasein visa abrir a questão do ser; o projeto original do livro ficou incompleto.

§ 4 · O que é metafísica?

O nada e a angústia

Na conferência O que é metafísica? (1929), Heidegger interroga o nada. Ele não o apresenta como um objeto escondido nem como simples resultado de negar uma frase. A análise parte da disposição da angústia.

O medo se dirige a algo determinado; na angústia, os entes em conjunto perdem a familiaridade e parecem escapar. Eles não são destruídos. Essa experiência permite colocar a questão do nada e estranhar o fato de haver entes. A metafísica ultrapassa a consideração de entes particulares para interrogar seu aparecer em conjunto.

§ 5 · A história da metafísica

Ontoteologia e esquecimento do ser

No pensamento posterior, Heidegger examina como a metafísica compreendeu os entes a partir de fundamentos. A ontoteologia articula uma explicação dos entes em geral com a referência a um fundamento supremo que explica a totalidade. O tema aparece em Identidade e diferença (1957).

A crítica é que essa estrutura não pergunta suficientemente pelo ser que permite aos entes aparecer. O esquecimento do ser não é mero lapso de memória: diz respeito a uma maneira histórica de pensar. Questionar a metafísica exige examinar seus pressupostos, e não simplesmente declarar inúteis todas as obras anteriores.

§ 6 · Um modo moderno de revelar

Técnica, enquadramento e disponibilidade

Em A questão da técnica, Heidegger distingue aparelhos e o modo de revelação que caracteriza a técnica moderna. Gestell, traduzido de diferentes formas, como enquadramento ou composição, designa a convocação para ordenar o real como algo disponível para exploração.

Bestand é a disponibilidade ou reserva: a natureza e até as pessoas podem aparecer sobretudo como recursos a mobilizar. O problema não se limita ao mau uso de uma máquina; envolve reduzir o que aparece a esse único modo de compreensão.

A reflexão procura abrir uma relação mais livre com a técnica, percebendo também outras maneiras de revelar e compreender. A arte é uma das possibilidades discutidas no ensaio.

Exercício

Questionário

10 questões de múltipla escolha sobre Heidegger e a metafísica. Marque uma alternativa em cada questão e clique em Corrigir. Ao final aparecem a nota, as questões certas, erradas e em branco, além do gabarito comentado. Use Refazer para tentar novamente.

1 O que a diferença ontológica distingue?

Ser não é outro ente, nem mesmo um ente supremo. A diferença separa a questão do ser da investigação de coisas que são.

2 Qual alternativa distingue investigação ôntica e ontológica?

A pergunta ontológica não acrescenta um objeto à lista dos entes; examina o modo de ser.

3 Por que o Dasein é o ponto de partida de Ser e tempo?

O Dasein é o ente que pode colocar a pergunta pelo ser; sua análise prepara essa investigação.

4 O conceito de ser-no-mundo indica:

Mundo é um contexto de significações e envolvimento, não apenas um recipiente espacial.

5 Em Ser e tempo, cuidado significa:

Sorge nomeia uma estrutura da existência, e não apenas um sentimento ou uma virtude moral.

6 Como a temporalidade é apresentada na ficha?

A temporalidade da existência não se reduz à sequência de instantes medidos; o projeto do livro permaneceu incompleto.

7 Qual distinção entre medo e angústia aparece em O que é metafísica?

A angústia não é simples medo de um objeto particular; ela altera a relação com os entes em conjunto.

8 Na conferência sobre metafísica, o nada é:

Os entes não são aniquilados. O nada não é apresentado como uma coisa localizada nem como tese de inexistência de tudo.

9 Qual estrutura Heidegger critica com o termo ontoteologia?

A crítica examina a articulação entre fundamento geral dos entes e fundamento supremo, mantendo aberta a pergunta pelo ser.

10 O problema da técnica moderna, segundo a ficha, envolve:

Gestell e Bestand ajudam a pensar um modo de compreensão do real que vai além dos aparelhos e de seu uso.