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Primeiro período · Éticas · Aristóteles · 384 — 322 a.C.

Ética de Aristóteles

Como construir uma vida boa? Felicidade, formação do caráter e escolha na Ética a Nicômaco: oito seções de estudo e 10 questões com explicações ao final.

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§ 1 · O fim da vida humana

Felicidade como atividade

Na Ética a Nicômaco, Aristóteles pergunta pelo bem que buscamos por si mesmo. A eudaimonia, traduzida como felicidade ou vida bem realizada, é esse fim último: os demais bens são escolhidos também em vista dela (I, 7).

O argumento da função humana relaciona viver bem à atividade da alma segundo a razão e a virtude, ao longo de uma vida completa. Felicidade não é só sentir prazer nem possuir uma qualidade sem exercê-la. Condições externas, como recursos e amizades, também têm importância (I, 8).

§ 2 · A formação do caráter

Aprender a agir bem

A virtude moral se forma pelo hábito: aprendemos a agir justamente praticando ações justas (II, 1). Para agir virtuosamente, é preciso conhecer a ação, escolhê-la por ela mesma e agir a partir de uma disposição firme (II, 4).

§ 3 · A virtude moral

A justa medida

A virtude moral busca uma medida entre excesso e falta, relativa a nós e determinada pela razão (II, 6). Coragem situa-se entre covardia e temeridade. Não é média matemática: depende da situação. Algumas ações, como roubo e assassinato, não admitem uma justa medida.

§ 4 · A responsabilidade

Ação voluntária, deliberação e escolha

Aristóteles distingue ações voluntárias e involuntárias. A ação voluntária tem sua origem no agente, que conhece as circunstâncias relevantes; força externa e ignorância exigem examinar de outro modo a responsabilidade (III, 1).

A escolha, ou prohairesis, não é qualquer impulso: resulta de deliberação sobre o que está ao nosso alcance. Deliberamos sobre como realizar um fim, considerando os meios possíveis (III, 2–3). Nem toda ação voluntária envolve essa escolha deliberada.

§ 5 · Saber agir

Prudência e fraqueza da vontade

A phronesis, ou prudência, é a sabedoria prática que permite deliberar bem sobre a vida humana em situações concretas (VI, 5). Não é apenas cautela nem habilidade para conseguir qualquer objetivo: envolve uma orientação moral boa. Prudência e virtude do caráter dependem uma da outra (VI, 13).

Aristóteles também examina a akrasia, ou fraqueza da vontade (VII, 3): uma pessoa pode, em certo sentido, conhecer o que deveria fazer e agir sob o domínio de uma paixão. A análise distingue possuir um conhecimento de exercê-lo plenamente no momento da ação.

§ 6 · A relação com os outros

Justiça distributiva e corretiva

No livro V, a justiça considera o bem na relação com outras pessoas. A justiça em sentido geral envolve a virtude exercida em relação ao outro; em sentido particular, ocupa-se da igualdade nas distribuições e nas correções (V, 1–2).

A justiça distributiva reparte bens e honras segundo uma proporção entre pessoas e critérios considerados relevantes (V, 3). A justiça corretiva procura restabelecer a igualdade rompida por um dano, corrigindo a vantagem e a perda (V, 4).

§ 7 · Viver com outras pessoas

As formas de amizade

Aristóteles distingue amizades por utilidade, por prazer e pelo caráter bom das pessoas (VIII, 3). Nas duas primeiras, o vínculo pode se desfazer quando desaparece o benefício ou o prazer.

A amizade completa une pessoas boas que desejam reciprocamente o bem uma da outra por quem elas são. Ela requer tempo e convivência. O tema mostra que a vida boa inclui relações: não se resume a uma realização isolada (VIII, 1–3).

§ 8 · A vida mais elevada

Contemplação e vida prática

No livro X (7–8), Aristóteles atribui à contemplação, atividade do intelecto voltada ao conhecimento, a forma mais elevada de felicidade. A vida segundo as virtudes morais também é feliz, embora ocupe outro lugar nessa comparação.

A vida contemplativa continua dependendo de condições humanas: alimentação, saúde e outros recursos. O estudo não elimina a necessidade de agir bem na convivência. A investigação ética deve contribuir para a prática, não apenas para acumular definições (X, 9).

Exercício

Questionário

10 questões de múltipla escolha sobre a ética de Aristóteles. Marque uma alternativa em cada questão e clique em Corrigir. Ao final aparecem a nota, as questões certas, erradas e em branco, além do gabarito comentado. Use Refazer para tentar novamente.

1 No argumento da função humana, como Aristóteles caracteriza a felicidade?

Eudaimonia é viver bem em atividade ao longo da vida; possuir uma qualidade sem exercê-la não basta.

2 Como se forma a virtude moral?

A virtude moral se forma pela prática, com conhecimento, escolha e firmeza de caráter.

3 O que significa a justa medida na virtude moral?

A medida é relativa a nós e racional, não uma média matemática.

4 A doutrina da justa medida permite um roubo em quantidade moderada?

Nem toda ação admite meio virtuoso; há ações cujo próprio tipo é errado.

5 Qual alternativa distingue corretamente ação voluntária e escolha deliberada?

Nem toda ação voluntária é uma escolha deliberada. A escolha considera possibilidades que estão ao nosso alcance.

6 Ao avaliar como ajudar um colega sem encobrir uma fraude, a prudência exige:

Phronesis é sabedoria prática para agir bem; não é mera eficiência nem simples cautela.

7 O problema da akrasia examina a possibilidade de:

A análise distingue ter conhecimento de exercê-lo plenamente no momento da ação.

8 Qual alternativa distingue justiça distributiva e corretiva?

Distribuição proporcional e correção de danos são problemas distintos no livro V.

9 O que caracteriza a amizade completa?

A amizade completa se apoia no caráter e no bem recíproco, além da utilidade ou do prazer momentâneos.

10 Qual é o lugar da contemplação na conclusão da Ética a Nicômaco?

O livro X privilegia a atividade contemplativa, mas reconhece suas condições humanas e a vida segundo as virtudes morais.