Segundo período · 07 · Período clássico · 428/7 — 348/7 a.C.
Platão
Sócrates perguntava «o que é a justiça?» e terminava sem resposta. Platão aposta que a resposta existe —
e que ela não está neste mundo de coisas que mudam, mas num outro, que só o pensamento alcança:
o mundo das Ideias.
428/7 a.C.Nasce em Atenas, numa família aristocrática. O nome de nascimento seria Arístocles.
c. 407 a.C.Passa a acompanhar Sócrates, por volta dos vinte anos.
399 a.C.Morte de Sócrates. Platão deixa Atenas por um tempo e começa a escrever os primeiros diálogos.
c. 387 a.C.Depois de conhecer os pitagóricos na Itália, funda a Academia, nos jardins de Academo.
348/7 a.C.Morre em Atenas. Todos os seus diálogos sobreviveram — caso único na filosofia antiga.
Platão escreveu diálogos: conversas, quase sempre conduzidas por Sócrates, em que ninguém
fala em nome do autor. Costuma-se dividi-los em três fases. Os de juventude, ou socráticos
(Apologia, Críton, Eutífron), terminam em aporia. Os da
maturidade (Mênon, Fédon, Banquete,
República, Fedro) expõem a teoria das Ideias. Os da velhice
(Teeteto, Parmênides, Sofista, Timeu,
Leis) revisam e criticam essa teoria.
§ 2 · Metafísica
A teoria das Ideias
Platão junta três heranças. De Heráclito, via Crátilo, a convicção de que as coisas sensíveis mudam sem parar —
e do que muda não há ciência. De Sócrates, a busca por definições universais. De Parmênides, a ideia de que o
verdadeiro ser é imutável. Conclusão: as definições que Sócrates procurava se referem a realidades que existem
à parte das coisas sensíveis — as Ideias ou Formas
(eidos, idéa).
As Ideias são eternas, imutáveis, únicas, perfeitas e inteligíveis: não se veem, se pensam.
O Belo em si nunca fica feio; uma moça bonita envelhece. As coisas sensíveis existem por
participação (méthexis) nas Ideias, ou por
imitação (mímesis) delas: são cópias imperfeitas de um modelo.
§ 3 · Conhecimento
Conhecer é lembrar
No Mênon, o interlocutor lança um paradoxo: como procurar o que não se conhece? Se não sabemos o que
é, não saberemos o que buscar; se encontrarmos, não saberemos reconhecer. Platão responde com a
reminiscência (anámnesis): a alma é imortal, já contemplou as Ideias antes
de nascer, e aprender é recordar.
A prova é uma cena (82b–85b). Sócrates chama um escravo que nunca estudou geometria e, só fazendo perguntas,
leva-o a descobrir como dobrar a área de um quadrado: construindo-o sobre a diagonal. Ninguém lhe ensinou;
a resposta estava nele.
Na República (VI, 509d–511e), a linha dividida organiza os graus do
saber. Embaixo, a opinião (dóxa), sobre o sensível: a imaginação
(eikasía), que vê sombras e reflexos, e a crença (pístis), que vê as coisas. Em cima, a
ciência (epistéme), sobre o inteligível: o pensamento discursivo
(diánoia), próprio da matemática, que parte de hipóteses; e a inteligência (nóesis),
a dialética, que sobe até um princípio sem hipóteses — o Bem.
§ 4 · República VII
A Caverna e a educação
A alegoria da Caverna (514a–517a) põe a linha dividida em cena. Prisioneiros acorrentados desde a infância
só veem sombras projetadas na parede e as tomam pela realidade. Um deles é libertado, vira-se, vê o fogo e os
objetos, é arrastado para fora, ofusca-se, e só aos poucos consegue ver as coisas e, por fim, o sol.
Voltando para libertar os outros, é ridicularizado — e, se pudessem, eles o matariam.
A lição sobre educação vem logo depois (518b–d): educar não é pôr visão em olhos cegos, como pensam alguns.
A capacidade de ver já está na alma. Educar é voltar a alma inteira na direção certa —
uma conversão (periagogé), não um enchimento.
§ 5 · Alma e amor
A parelha alada e a escada
A alma é imortal — o Fédon dá vários argumentos — e tem
três partes (República IV): a racional, que calcula e
deve governar; a irascível (thymós), sede da coragem e da indignação; e a
apetitiva, dos desejos do corpo.
No Fedro (246a–254e), a mesma alma vira imagem: um cocheiro (a razão) conduz uma
parelha alada com dois cavalos, um branco e dócil (o ânimo), outro escuro e rebelde (o apetite).
Conduzir bem é fazer os dois puxarem na mesma direção.
E o que move a alma para o alto é Eros. No Banquete (210a–212a),
Sócrates repete o que aprendeu com a sacerdotisa Diotima: a escada do amor. Ama-se primeiro
um corpo belo, depois a beleza de todos os corpos, depois a beleza das almas, das leis e das ciências,
até contemplar, de repente, o Belo em si, eterno e sem mistura.
Exercício
Questionário
10 questões de múltipla escolha sobre o que está acima. Marque uma alternativa em cada uma
e clique em Corrigir no final. O resultado aparece logo abaixo do botão, com a lista das
questões que você acertou e errou; cada questão mostra a resposta certa e a explicação.