Primeiro período · Éticas · Platão · c. 427 — 347 a.C.
Ética de Platão
Por que ser justo? A ética de Platão relaciona a vida boa à ordem da alma,
ao conhecimento do bem e à formação do julgamento. Seis seções de estudo e 10 questões ao final.
Na República, Platão investiga se a justiça é boa para quem a pratica.
No livro II (357a–367e), Gláucon e Adimanto desafiam Sócrates a defendê-la por seu valor próprio,
e não apenas pelas recompensas ou pela reputação que traz.
O anel de Giges (359c–360d), capaz de tornar seu portador invisível,
radicaliza a pergunta: alguém continuaria justo se pudesse agir sem ser descoberto?
O relato apresenta um desafio a ser respondido, não uma aprovação da injustiça.
§ 2 · A alma em conflito
Razão, ânimo e apetites
No livro IV (436a–441c), Platão distingue três partes da alma:
a racional, que delibera;
a irascível, ou ânimo, ligada à indignação e à coragem;
e a apetitiva, ligada a desejos como fome, sede e riqueza.
O conflito entre elas ajuda a explicar nossas escolhas.
A razão deve orientar o conjunto. O ânimo pode apoiá-la, e os apetites precisam de medida,
em vez de governar a pessoa.
§ 3 · A ordem interior
As quatro virtudes
No livro IV (441c–444e), a sabedoria cabe à razão;
a coragem, ao ânimo que preserva sua orientação;
a temperança é o acordo sobre quem deve governar;
e a justiça é a ordem em que cada parte exerce sua função.
A injustiça rompe essa ordem.
§ 4 · Conhecimento e orientação
A Ideia do Bem
No livro VI (504d–509b), a Ideia do Bem é o objeto mais elevado
de estudo. Sem compreender o bem, saber que algo parece útil ou justo não basta para orientar
adequadamente a vida e a cidade.
Na analogia do sol, assim como a luz permite ver, o Bem torna possível conhecer e dá
inteligibilidade ao que é conhecido. Platão não oferece uma definição simples do Bem:
desenvolve sua função por meio da comparação.
O bem não se reduz à opinião da maioria nem ao prazer imediato. A reflexão ética exige
distinguir aquilo que parece vantajoso daquilo que merece orientar uma escolha.
§ 5 · Aprender a ver
A educação como transformação
A alegoria da caverna, no livro VII (514a–517a), mostra pessoas que tomam sombras por realidade.
A saída representa uma mudança difícil na maneira de compreender o mundo.
Em 518b–d, educar é orientar a alma para conhecer, e não apenas despejar informações nela.
Quem aprende deve retornar à caverna (519c–520e): o conhecimento implica responsabilidade
pela vida comum. A formação ética não termina na vantagem individual de quem estudou.
§ 6 · A vida boa
Justiça e felicidade
No livro IX (571a–580c), o indivíduo tirânico vive submetido a desejos que se multiplicam
e não encontram satisfação estável. Mesmo que pareça poderoso, não governa a si próprio.
Platão defende a superioridade da vida justa e ordenada.
A eudaimonia, ou felicidade no sentido de uma vida boa,
não se reduz a um instante agradável. A avaliação considera a maneira de viver como um todo.
No Górgias (497e–500a), a distinção entre prazer e bem também impede que
qualquer prazer seja tomado como critério suficiente de boa ação.
Para revisar, pergunte: minha decisão é guiada por reflexão, por desejo imediato ou por disputa
de prestígio? Que efeito ela tem sobre mim e sobre outras pessoas? A ética platônica propõe
organizar a vida em direção ao bem.
Exercício
Questionário
10 questões de múltipla escolha sobre a ética de Platão. Marque uma alternativa
em cada questão e clique em Corrigir. Ao final aparecem a nota, as questões certas,
erradas e em branco, além do gabarito comentado. Use Refazer para tentar novamente.