Segundo período · 07 · Período clássico · 384 — 322 a.C.
Aristóteles de Estagira
Vinte anos aluno de Platão, e a conclusão de que o mestre errou no essencial: a forma das coisas não
mora num outro mundo, está nas próprias coisas. Daí sai um sistema que organiza a lógica, a física,
a biologia, a ética e a política — e domina o pensamento ocidental por dois mil anos.
384 a.C.Nasce em Estagira, na Calcídica. O pai, Nicômaco, era médico do rei da Macedônia.
367 a.C.Aos dezessete anos entra na Academia de Platão, onde fica vinte anos.
347–343 a.C.Morto Platão, deixa Atenas. Em Assos e Lesbos faz pesquisas de biologia marinha.
343/2 a.C.Torna-se preceptor do jovem Alexandre, filho de Filipe II.
335/4 a.C.Funda o Liceu em Atenas. Ensinava caminhando: daí «peripatéticos».
322 a.C.Depois da morte de Alexandre, acusado de impiedade, retira-se para Cálcis, onde morre.
Aristóteles escreveu diálogos elegantes para o público, todos perdidos. O que temos são os textos
acroamáticos: anotações para as aulas do Liceu, densas e às vezes repetitivas, organizadas
três séculos depois por Andrônico de Rodes. Até o título Metafísica é editorial:
tà metà tà physiká, os livros que vêm «depois dos da física».
A obra cobre quase tudo: lógica (Órganon), natureza (Física, Do céu,
tratados de biologia), alma (Da alma), ser (Metafísica), ação
(Ética a Nicômaco, Política) e produção (Poética, Retórica).
§ 2 · Lógica
O instrumento
A lógica não é uma ciência entre outras: é o órganon, o instrumento de todas.
Sua peça central é o silogismo: um argumento em que, postas certas premissas,
uma conclusão diferente delas se segue necessariamente. O exemplo escolar: todo homem é mortal;
Sócrates é homem; logo, Sócrates é mortal.
Nas Categorias, Aristóteles lista os modos de dizer o que algo é: substância
(homem, cavalo) e nove acidentes — quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ação e paixão.
E a Metafísica (IV, 3) firma o mais seguro de todos os princípios:
É impossível que o mesmo atributo pertença e não pertença ao mesmo tempo ao mesmo sujeito,
sob o mesmo aspecto.
Aristóteles, Metafísica IV, 3, 1005b19
É o princípio de não contradição. Não se demonstra — toda demonstração já o supõe —,
mas quem o nega, se disser alguma coisa com sentido, já o está usando.
§ 3 · O ser
A forma está na coisa
A crítica a Platão é direta: as Ideias separadas não explicam nada. Se a Forma de Homem está noutro mundo,
como ela faz deste homem um homem? «Participação» é só uma metáfora poética (Metafísica I, 9).
Para Aristóteles, o que existe em primeiro lugar é a substância (ousía):
este homem, este cavalo — a substância primeira, o indivíduo concreto.
Espécies e gêneros («homem», «animal») são substâncias segundas: só existem nos indivíduos. E cada substância
sensível é um composto inseparável de matéria (aquilo de que é feita) e forma
(aquilo que a faz ser o que é): o hilemorfismo.
§ 4 · Natureza
Potência, ato e as quatro causas
Parmênides dizia que mudar seria o ser vir do não-ser. Aristóteles responde com um par de conceitos.
A semente não é árvore em ato, mas é árvore em potência;
crescer é passar da potência ao ato. O que muda não vem do nada: vem do que já era, de certo modo.
Conhecer algo é conhecer suas quatro causas (Física II, 3). Numa estátua:
a material, o bronze; a formal, a figura; a eficiente,
o escultor; a final, aquilo para o qual ela existe — honrar um deus ou um atleta.
Na natureza também há fim: a bolota existe para virar carvalho. É a teleologia.
Se tudo o que se move é movido por outro, a série não pode ir ao infinito. Há um
primeiro motor imóvel (Metafísica XII): ato puro, sem matéria nem
potência, que move sem ser movido — como o objeto amado move quem o ama. Sua atividade é pensar,
e pensar o mais alto: a si mesmo, «pensamento do pensamento».
§ 5 · Ética
Virtude como hábito
Toda ação visa um bem, e o bem supremo, querido por si mesmo, é a eudaimonia.
Para saber em que ela consiste, Aristóteles pergunta pela função (érgon) própria do
ser humano: não é viver (as plantas vivem) nem sentir (os animais sentem), mas agir segundo a razão.
Felicidade é atividade da alma segundo a virtude, ao longo de uma vida inteira.
As virtudes intelectuais se aprendem pelo ensino; as morais, pelo
hábito (éthos): «tornamo-nos justos praticando atos justos» (II, 1).
A virtude moral é uma disposição de escolher o meio-termo relativo a nós, definido
pela razão do homem prudente — a coragem entre a covardia e a temeridade. A phrónesis, a prudência,
é a virtude intelectual que acerta esse ponto em cada caso.
Exercício
Questionário
10 questões de múltipla escolha sobre o que está acima. Marque uma alternativa em cada uma
e clique em Corrigir no final. O resultado aparece logo abaixo do botão, com a lista das
questões que você acertou e errou; cada questão mostra a resposta certa e a explicação.